Não sei quanto a vocês, mas amor pra mim ter que ter cheiro. Gosto. E FRASES.
Não adianta dizer que um olhar vale mil palavras, que o silêncio diz tudo. Não, não e não. Eu quero sentir, tocar, cheirar, provar, morder e OUVIR. LER. Então, por favor, DIGA. Qualquer coisa que seja, qualquer frase, qualquer palavra perdida, FALE. Ou ESCREVA. Mas por favor, ETERNIZE.
Palavras foram criadas para fotografar o coração. Então por favor, não poupe o mundo da sua essência. Click. Palavras são simples. Precisas. Lindas em sua pureza de ser dita. Ben(m) dita! Não precisa fazer pose. Deixe acontecer. Se a garganta der nó e a sílaba não sair, ESCREVA. Caneta e lápis na mão, SEJA. Mostre-se. Eu não me apaixono por pessoas. Eu me apaixono por frases. Me alimento de palavras. Verdades, incertezas, medos, doçuras e pequenas mentiras. Não importa.
Eu quero provar seus verbos. Seus sujeitos. Seus objetos. Eu quero te ler. Te sublinhar. Te copiar. Te re-ler. Então, por favor, escreva-se. Inscreva-se. Eu quero te pregar num post-it pra nunca mais te esquecer. Quer saber? O que me encanta no mundo são letras, vogais, combinações inexatas entre o que quer dizer e o que se diz. Não precisa dizer bonito. Muito menos escrever bonito. Palavra vira poesia quando dita com a alma. Por isso, solte-se. Rabisque-se. Eu não vou analisar suas palavras. Eu vou apenas senti-las... Sentir você em cada letra escrita, em cada ponto, em cada frase desenhada. Por isso, permita-me. Eu não quero gramática, dicionário, frases de efeito, plágios descarados pra preencher vazio. Eu quero você. Você e suas palavras. Você e sua letra torta. Em qualquer frase, qualquer rima, qualquer asterisco no pé da página. Mas que seja você. Que brote do silêncio da sua alma bonita e se transforme em letras: palavras para eternizar a poesia que é seu coração! P.S: Eu sou mulher de frases. Ainda bem que você tem palavra.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Que a minha intensidade não me impeça de respirar vezenquando, pois suspiro o tempo todo pra encontrar espaço nesse peito que já nem se cabe. Que essas explosões de vida, de beleza e dor me permitam ao menos, por alguns momentos, absorvê-las com tranqüilidade: para que eu consiga dormir sem ter de chorar ou gargalhar até a exaustão, pois sinto falta de apenas lacrimejar ou sorrir sem contrações, descontraída. Que a felicidade não me doa sempre e tanto, a ponto de assustar. Que haja alguma suavidade nos meus olhos diante do cotidiano e que eu não me emocione exageradamente com esta delicadeza. Que eu possa contemplar o mar sem que ele me afogue por completo. Que eu possa olhar o céu imenso e que isso não me aniquile por lucidez extrema. E que quando eu escrever um texto, ao ser publicado, assim, despido de qualquer revisão emocional, dotado apenas da intuição que me foi dada, que encontre a fonte precisa que agasalhe a palavra “palavra”. Que eu não viva só em caixa alta, com esses gritos que arranham silêncios e desgovernam melodias. Que eu saiba dizer sem que isso me machuque demais. Que eu saiba calar sem que isso me provoque uma tagarelice interna inquieta. Que eu possa saber dessa música apenas que ela se comunica com algo em mim, nada mais. Que eu possa morrer de amor e, ainda sim, ser discreta. Que eu possa sentir tristeza sem que ela se aposse de toda a minha alegria. E que, se um dia eu for abandonada pelo amor, não deixe que esse abandono seja para sempre uma companhia.
M.Q
M.Q
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Meu Recheio
Tá... Um pouco de tudo: correr riscos, ter cautela, muito sonho, dia a dia. Presença...E um tanto assim de ausência. Um tantinho assim ó: v-a-s-t-o. Misturo o risco, a cautela, o sonho, a presença e um tanto assim de ausência com os meus planos, meu passado, meu presente, um copo d agua. Deito na cama. Leio um pouco e procuro Clarice e Caio. Chá quente na caneca, um pouquinho de auto crítica, música, e fecho os olhos. Sarcasmos apimentados e deslizes doces me faltam. Um pouco de tudo isso me cala ou dança em mim. Assim: confuso, esquisito, desconexo, largo, escuro. Dentro é denso. Um caldo. Meu recheio.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Jogo Amoroso
Este é um jogo de perguntas e respostas.
Regra 1 : Não duvide da seriedade do questionamento, por mais banal e absurda que seja a pergunta.
Regra 2 : Quando não souber responder, responda assim mesmo. Toda resposta é uma boa resposta se for sincera.
Regra 3 : Coloque um vinho e duas taças na jogada.
Regras Genéricas: O inquirido deverá dizer a verdade, mesmo que mentiras pareçam necessárias. Jogue de novo se não houver lua, massagem e sexo emocionado durante a sessão pergunta responde.
O ganhador será aquele que amar primeiro.
Regra 1 : Não duvide da seriedade do questionamento, por mais banal e absurda que seja a pergunta.
Regra 2 : Quando não souber responder, responda assim mesmo. Toda resposta é uma boa resposta se for sincera.
Regra 3 : Coloque um vinho e duas taças na jogada.
Regras Genéricas: O inquirido deverá dizer a verdade, mesmo que mentiras pareçam necessárias. Jogue de novo se não houver lua, massagem e sexo emocionado durante a sessão pergunta responde.
O ganhador será aquele que amar primeiro.
terça-feira, 12 de julho de 2011
O Almoço de Domingo
A família sabia, mas fingia que não. Aos domingos (único dia em que todos almoçavam juntos), César era alvo de indiretas e piadinhas. Cunhado evangélico e irmãos preconceituosos, lançavam farpas entre uma garfada e outra. Os pais se calavam. Defender um provável filho gay é comprometedor para um casal à moda antiga...O irmão caçula, beirando os 20 anos, ganhou em uma promoção um kit cultural: livro do Jabor, cd da Amy Winehouse, ingressos para o show do Seu Jorge e algo DESPREZÍVEL: um dvd com o filme O Segredo de Brokeback Mountain.
- Credo!!! Dvd de cowboy fresco. Quem vai assistir esssa droga???
Durante alguns dias, o dvd ficou largado na estante. Aquele sábado nublado foi a oportunidade ideal. Sozinho em casa, César pega o dvd e começa a assistir. Nos minutos iniciais, ele já está alheio ao mundo e fixado nas imagens, nem percebendo a chegada da mãe, que inesperadamente decide assistir também. A situação, inicialmente incômoda, tornou-se algo providencial.
A mãe chora, se emociona e se surpreende ao perceber que os gays também amam e sofrem ao extremo, por pressões sociais. Ela, que pensava que eram apenas um bando de promíscuos que levaram seu filho para o mau caminho, agora vê um filme mostrando o lado romântico e sensível de rapazes apaixonados. O filme termina, uma nova fase começa:
- Filho, quero que você seja feliz; te amo do jeito que você é.
Era bom demais pra ser verdade, mas poderiam ser apenas palavras. Não eram. O domingo chegou e, na hora do almoço, o cunhado tentou fazer uma piadinha sobre gays. A mãe foi enfática:
- André, cala a boca. Todo domingo você faz uma piadinha sobre esse assunto. Deve ter questões íntimas para serem resolvidas no campo da sexualidade. Vá resolver seus problemas com um terapeuta.
O silêncio a seguir foi constrangedor, mas César adorou. O almoço de domingo passou a ser seu programa preferido.
- Credo!!! Dvd de cowboy fresco. Quem vai assistir esssa droga???
Durante alguns dias, o dvd ficou largado na estante. Aquele sábado nublado foi a oportunidade ideal. Sozinho em casa, César pega o dvd e começa a assistir. Nos minutos iniciais, ele já está alheio ao mundo e fixado nas imagens, nem percebendo a chegada da mãe, que inesperadamente decide assistir também. A situação, inicialmente incômoda, tornou-se algo providencial.
A mãe chora, se emociona e se surpreende ao perceber que os gays também amam e sofrem ao extremo, por pressões sociais. Ela, que pensava que eram apenas um bando de promíscuos que levaram seu filho para o mau caminho, agora vê um filme mostrando o lado romântico e sensível de rapazes apaixonados. O filme termina, uma nova fase começa:
- Filho, quero que você seja feliz; te amo do jeito que você é.
Era bom demais pra ser verdade, mas poderiam ser apenas palavras. Não eram. O domingo chegou e, na hora do almoço, o cunhado tentou fazer uma piadinha sobre gays. A mãe foi enfática:
- André, cala a boca. Todo domingo você faz uma piadinha sobre esse assunto. Deve ter questões íntimas para serem resolvidas no campo da sexualidade. Vá resolver seus problemas com um terapeuta.
O silêncio a seguir foi constrangedor, mas César adorou. O almoço de domingo passou a ser seu programa preferido.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
TPM
TPM me aflige, me revira, me liberta para os meus demônios. Ingratidão me magoa e fere dentro de mim a menina que ainda quer transformar o mundo. Casa por limpar me joga diante da televisão e de pacotes de bolacha, por prazos indeterminados, até a chegada de visitas ou de baratas. Música errada no momento certo me tira do sério. Pessoa certa no momento errado também. E vice-versa.
Mas no verso reverso dessa história, na contracapa que é contra a capa - e ainda assim busca alguma dialética - o que resta é uma guria assustada, temerosa de relacionamentos humanos, ratazanas e contas pra pagar. Que paga seus pecados miúda e minguadamente, parcelas que excedem a vida e cotas de bondade possíveis para mais uma cabecinha aérea em um mundo de massificação descabida. Pensamentos voam longe...e, todavia, a ilusão de estar nadando contra a corrente. Toda a vida, pseudo-elo partido de uma corrente inquebrantável. Absoluta.
Mas no verso reverso dessa história, na contracapa que é contra a capa - e ainda assim busca alguma dialética - o que resta é uma guria assustada, temerosa de relacionamentos humanos, ratazanas e contas pra pagar. Que paga seus pecados miúda e minguadamente, parcelas que excedem a vida e cotas de bondade possíveis para mais uma cabecinha aérea em um mundo de massificação descabida. Pensamentos voam longe...e, todavia, a ilusão de estar nadando contra a corrente. Toda a vida, pseudo-elo partido de uma corrente inquebrantável. Absoluta.
Mudanças
Eu não preciso comprar uma pessoa nova. Preciso, sim, buscar a mim, onde quer que tenha esquecido meus mínimos pedaços. Gorduras e quilos extras dá pra perder. Cabelo mal resolvido dá pra administrar. Falta de grana, a gente aprende a levar. Então, existe uma saída: fazer as pazes com aquela que já fui um dia. Depois, com tempo, paciência e ternura, mudo o projeto, conserto o que não estiver bom, dou modos à moça. Aproprio-me. De posse do que for meu, mudo o curso do rio. Mato a erva daninha. E fico pronta para o que der e vier.
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